Já parou para pensar em quantas vezes nos colocamos no caminho dos nossos próprios sonhos? Muitas vezes, acabamos nos boicotando de formas tão sutis que nem percebemos. Chamamos esse processo de autossabotagem. Ele pode se manifestar nas pequenas escolhas do dia a dia ou em grandes decisões e frequentemente impede que avancemos pessoal e profissionalmente.
O que é a autossabotagem e por que ela acontece?
Autossabotagem não é falta de força de vontade, preguiça ou azar. Trata-se de padrões internos, muitas vezes inconscientes, criados por experiências passadas, emoções não resolvidas e crenças limitantes. São comportamentos ou pensamentos que nos afastam dos nossos objetivos, mesmo quando desejamos profundamente conquistá-los.
Na nossa experiência, a autossabotagem só se dissolve quando nos tornamos conscientes dela. Reconhecer os sinais é o primeiro passo para a mudança. E é justamente sobre esses sinais que queremos falar.
Seis sinais de autossabotagem no dia a dia
Vamos listar, em detalhes, seis sinais que costumam aparecer quando nos sabotamos e apresentar formas de lidar com cada um deles:
1. Procrastinação constante
Todos procrastinamos, mas, quando isso vira rotina e atrasa projetos importantes, é hora de ficar alerta. Observamos pessoas talentosas adiando tarefas essenciais por semanas, meses, até anos, sempre arrumando outras demandas supostamente mais urgentes.
A procrastinação oculta o medo e bloqueia o movimento.
Como lidar? Começamos por dividir tarefas grandes em pequenas ações concretas. Celebrar pequenas vitórias cria impulso. Perguntamos: "O que me impede de começar hoje?" e ouvimos as respostas internas sem julgamento.
2. Autocrítica exagerada
O segundo sinal é aquela voz interna que, mesmo diante de conquistas, insiste em diminuir ou desqualificar tudo que fazemos. Já ouvimos relatos como “Eu só consegui porque tive sorte” ou “Qualquer um faria melhor”.
Como lidar? Aprender a reconhecer e dialogar com a autocrítica, sem dar a ela o poder de ser juiz final. Usamos a autocompaixão: olhamos para nossos erros como aprendizados, não como falhas irreparáveis.
3. Medo excessivo de errar
Não gostar de errar é normal, mas o medo intenso e paralisante, que nos impede de tentar, é autossabotagem pura. Muitas vezes, recusamos convites, evitamos novos desafios ou nem tentamos por medo de não sair perfeito.
Lidamos com esse sintoma confrontando o medo, imaginando: “Qual seria o pior cenário se eu tentasse e errasse?" Quase sempre, o resultado real é menos trágico do que supomos. Permitimos a nós mesmos errar, testar caminhos e aprender.

4. Dificuldade de aceitar elogios
Esse sinal aparece quando recebemos um elogio, mas nos apressamos a negar, justificar ou redirecionar a atenção. A frase “Foi nada, você que é bom!” é bem familiar, não?
Na prática, aceitar elogios fortalece a autoestima. Quando nos permitimos receber reconhecimento, abrimos espaço para nos sentir merecedores de nossas conquistas.
5. Sabotar relacionamentos e parcerias
Esse comportamento se manifesta cortando laços promissores, afastando pessoas importantes ou criando conflitos desnecessários. Às vezes, sem perceber, colocamos obstáculos em relações que poderiam prosperar.
Para lidar, incentivamos o diálogo franco e a escuta ativa. Questionamos: “Estou reagindo a algo real ou projetando inseguranças antigas?” Muitas barreiras são defesas emocionais baseadas em vivências passadas e podem ser revistas.
6. Fugir de responsabilidades
Quantas vezes já conhecemos alguém que evita compromissos, delega tudo que pode ou desiste no primeiro tropeço? Fugir do protagonismo é um jeito sutil de se sabotar, pois impede o crescimento e a maturidade.
Assumir responsabilidade é o primeiro passo para criar real mudança.
Nossa abordagem: cultivar o hábito de assumir pequenas responsabilidades nos fortalece para encarar desafios maiores. Reconhecer erros e aprender com eles é sinal de maturidade, não fraqueza.

Como lidar com a autossabotagem?
Trazemos algumas atitudes eficazes que podemos cultivar no dia a dia:
- Autoconsciência: Observe pensamentos e comportamentos, reconhecendo padrões repetitivos.
- Diálogo interno gentil: Fale consigo mesmo como falaria com um bom amigo.
- Objetivos realistas: Metas possíveis e prazos claros ajudam a diminuir a ansiedade do perfeccionismo.
- Apoio: Compartilhe seus desafios com pessoas de confiança. Trocar experiências é valioso.
- Atenção ao corpo: Ansiedade, cansaço e tensão podem ser sinais físicos da autossabotagem.
- Celebrar pequenas conquistas: Cada avanço merece reconhecimento, mesmo os menores.
Se percebermos que padrões de autossabotagem persistem ou causam sofrimento intenso, é válido buscar apoio psicológico. O acompanhamento profissional pode ajudar a compreender raízes emocionais e elaborar formas mais saudáveis de lidar.
Conclusão
Em nossa caminhada, constatamos que autossabotagem não é um obstáculo intransponível. Pelo contrário, quando olhamos de frente para ela, abrimos caminho para crescer e viver de forma mais leve. Somos todos responsáveis por nossos passos. Sentir medo, duvidar e até tropeçar faz parte, mas reconhecer esse movimento é o começo de toda transformação.
Perguntas frequentes sobre autossabotagem
O que é autossabotagem?
Autossabotagem é o conjunto de atitudes, pensamentos e comportamentos que sabotam nossos próprios objetivos e desejos, mesmo que isso aconteça de forma inconsciente. Muitas vezes, ela está ligada à falta de confiança, medo de errar ou crenças limitantes criadas ao longo da vida.
Como identificar sinais de autossabotagem?
Identificamos sinais de autossabotagem quando percebemos padrões como procrastinação constante, autocrítica excessiva, medo extremo de fracassar, dificuldade de aceitar elogios, sabotagem de relações e fuga de responsabilidades. Observar nossos comportamentos repetitivos e emoções é o caminho para reconhecer esses sinais.
Como lidar com a autossabotagem?
Sugerimos começar aumentando a autoconsciência, acolhendo pensamentos e emoções sem julgamento, definindo metas possíveis e buscando apoio emocional. Se a autossabotagem for persistente, a orientação profissional pode contribuir para aprofundar o autoconhecimento e promover mudanças positivas.
Quais são os tipos mais comuns?
Os tipos mais comuns são: procrastinação, autocrítica acentuada, perfeccionismo, medo de errar, evitar desafios, minar relacionamentos saudáveis e rejeitar responsabilidades. Cada um pode se manifestar de uma forma diferente, dependendo da história e das crenças de cada pessoa.
A autossabotagem tem tratamento psicológico?
Sim, a autossabotagem pode ser tratada com acompanhamento psicológico. Esse processo facilita a identificação das origens desses comportamentos e auxilia na construção de novas formas de agir, promovendo mais autonomia e equilíbrio emocional.
